QUANDO A SAÚDE ENCONTRA A CIDADANIA: O PAPEL DOS AGENTES COMUNITÁRIOS NA REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA EM MANHUAÇU

Dia 27 de março de 2026

Em muitos territórios brasileiros, o trabalho dos agentes comunitários de saúde vai além das atribuições tradicionais. Em Manhuaçu, essa atuação tem ganhado um novo significado ao se integrar diretamente ao processo de regularização fundiária, reforçando que garantir saúde também passa por assegurar dignidade, pertencimento e segurança jurídica.

O programa “Regulariza Manhuaçu”, promovido pela Prefeitura Municipal e executado pela Versaurb, avança com a meta de regularizar cerca de 1.500 lotes nos bairros Petrina, Santa Terezinha e Santa Luzia. Mais do que números, o programa tem revelado a força de uma rede pública que atua de forma articulada. E, nesse contexto, a presença dos agentes comunitários de saúde (ACS) tem sido decisiva.

CONFIANÇA CONSTRUÍDA – Conhecedores do território como poucos, os ACS transitam diariamente entre ruas, casas e histórias. São profissionais que carregam consigo a confiança construída ao longo dos anos, sendo muitas vezes o primeiro ponto de contato entre o poder público e a população. Essa proximidade se traduz em algo essencial para o sucesso da regularização fundiária: a credibilidade.

Durante as ações do programa, os agentes têm desempenhado um papel que vai além do apoio logístico. Acompanhados de técnicos da Versaurb, eles orientam moradores, esclarecem dúvidas, acompanham visitas técnicas e ajudam a traduzir, em linguagem acessível, um processo que muitas vezes é visto como distante ou complexo. Ao fazer isso, tornam a regularização mais próxima da realidade das famílias.

INTEGRAÇÃO – No bairro Santa Luzia, a equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) se tornou um exemplo dessa integração. Ao abrir suas portas para o programa, a unidade reforçou um compromisso que já faz parte da rotina desses profissionais: cuidar das pessoas em todas as dimensões da vida.

Esse cuidado se expressa em valores que sustentam o trabalho cotidiano dos ACS: respeito pelas trajetórias individuais, solidariedade nas situações mais vulneráveis e um senso profundo de responsabilidade coletiva. São esses elementos que permitem que a regularização fundiária avance não apenas como uma política pública, mas como um processo vivido em conjunto com a comunidade.

Ao integrar saúde e regularização, Manhuaçu demonstra que políticas públicas não precisam atuar de forma isolada. Pelo contrário, quando se conectam, ampliam seu alcance e impacto. A escritura que chega às mãos de uma família não representa apenas um documento, mas o reconhecimento de uma história, a garantia de direitos e a possibilidade de um futuro mais seguro.

E, nesse caminho, os agentes comunitários de saúde seguem como protagonistas silenciosos, presentes, atentos e comprometidos com aquilo que, no fundo, também é saúde: viver com dignidade.