ENTRE A NOTÍCIA E OTERRITÓRIO: O PAPEL DO JORNALISMO NA CONSTRUÇÃO DA CIDADE REGULARIZADA

Dia 7 de abril de 2026

No Brasil, o dia 7 de abril marca uma atividade essencial à vida pública: o jornalismo. Mais que informar, o jornalismo organiza o entendimento da realidade, conecta fatos, dá visibilidade ao que precisa ser visto e sustenta, com base na verdade, a confiança entre sociedade e instituições. Esses mesmos princípios encontram paralelo direto em um campo técnico que, à primeira vista, parece distante, mas que depende profundamente da comunicação: a regularização fundiária urbana.

Regularizar um território não é apenas um processo jurídico ou técnico. É, sobretudo, um processo de construção coletiva de confiança. E confiança se estabelece com informação clara, acessível e consistente. Assim como no jornalismo, onde a transparência e a prestação de contas são fundamentos, a regularização fundiária exige que cada etapa seja comunicada de forma compreensível, verificável e contínua.

ESCUTA ATIVA – Antes da regularização, o território é marcado por incertezas. Falta de documentação, insegurança jurídica, ausência de reconhecimento formal. Nesse cenário, a comunicação assume um papel estruturante. É no contato direto com os moradores que começam as primeiras explicações. É nas abordagens porta a porta que se esclarecem dúvidas, se alinham expectativas e se apresentam caminhos. Essa escuta ativa, característica do bom jornalismo, também orienta a mobilização social na Reurb.

Ao longo do processo, a comunicação se mantém permanente. Está nas reuniões comunitárias, onde informações são compartilhadas e decisões são compreendidas coletivamente. Está na mobilização para audiências públicas, nos avisos, nos cronogramas, na organização das etapas. Está também na forma como o projeto é apresentado à sociedade mais ampla, por meio da imprensa, da internet e das redes sociais, garantindo que as ações sejam públicas, rastreáveis e passíveis de acompanhamento.

INFORMAÇÃO E CIDADANIA – Depois da regularização, o território passa a ter outra condição. Há um “antes” e um “depois” claramente identificáveis. Mas essa transformação não se sustenta apenas nos documentos emitidos. Ela se consolida na percepção das pessoas, na compreensão do que foi feito e no reconhecimento do processo. Mais uma vez, a comunicação é o elo que permite que essa mudança seja percebida como legítima.

Nesse contexto, os valores do jornalismo – apuração rigorosa, compromisso com a verdade, clareza na transmissão da informação e responsabilidade com o público – dialogam diretamente com os princípios da regularização fundiária urbana. Ambos operam na construção de uma realidade mais transparente, onde os fatos são apresentados de forma objetiva e onde a informação é instrumento de cidadania.

A experiência prática demonstra que a comunicação não é uma etapa acessória da Reurb, mas um componente transversal. Ela está presente desde o primeiro contato com a comunidade até a entrega final dos títulos. Está na organização interna das equipes, na padronização das informações, na forma como os dados são tratados e divulgados. Sem comunicação estruturada, não há mobilização efetiva, nem compreensão do processo, nem adesão dos moradores.

ATUAÇÃO INTEGRADA – Nesse sentido, a Versaurb consolidou, ao longo de sua atuação, uma preocupação constante com a qualidade da comunicação. Essa diretriz vem sendo reforçada continuamente, com a estruturação de um setor específico que atua de forma integrada a todos os projetos. Esse setor acompanha as equipes em campo, apoia as ações de mobilização social, organiza a divulgação institucional e contribui para que as informações cheguem de forma clara e consistente a todos os públicos envolvidos.

A regularização fundiária urbana, assim como o jornalismo, lida com realidades complexas. Ambos exigem precisão, responsabilidade e compromisso com o interesse coletivo. Ambos atuam na redução de assimetrias de informação. E ambos dependem, fundamentalmente, da confiança.

Celebrar o Dia do Jornalista, nesse contexto, é também reconhecer que a cidade regularizada se constrói não apenas com levantamentos técnicos e procedimentos legais, mas com informação de qualidade, diálogo permanente e transparência em cada etapa. É reconhecer que comunicar bem é parte do próprio processo de transformar o território.