Dia 6 de março

Nas ruas de chão batido, nos corredores estreitos das comunidades ou nas filas que se formam diante de um balcão de cadastro, há sempre um rosto feminino à frente. Olhos firmes, voz segura, passos decididos. São mulheres que não apenas acompanham, mas conduzem o processo da regularização fundiária.
No programa Morar Legal, executado pela Versaurb, elas não são coadjuvantes. São protagonistas. Muitas chegam com pastas nas mãos, guardando documentos como quem protege um tesouro. Outras vêm com os filhos pela mão, equilibrando no colo a vida e o futuro. Há aquelas que representam vizinhos, que falam por um coletivo, que fazem da própria voz o instrumento de toda uma rua.
Em cada núcleo atendido pela Versaurb, há uma presença constante que sustenta o processo de regularização fundiária: a mulher. Ela está na porta de casa organizando documentos, na reunião comunitária representando a rua inteira, no cadastro explicando a história do lote que ajudou a construir. Está também do outro lado da mesa, planejando, orientando, analisando e garantindo que cada etapa avance com segurança jurídica e responsabilidade técnica.
TRABALHO COLETIVO – A regularização fundiária urbana é, acima de tudo, um trabalho coletivo. Envolve famílias, vizinhos, lideranças e poder público. E, em muitos desses espaços, são as mulheres que articulam, conectam e mantêm a união da comunidade. São elas que conhecem a história de cada casa, que sabem quem mora ao lado, quem precisa de ajuda, quem ainda tem dúvida. A confiança nasce dessa rede de vizinhança, amizade e solidariedade que elas constroem no cotidiano.
Muitas são chefes de família. Trabalham fora, cuidam da casa, acompanham os filhos e, ainda assim, encontram tempo para comparecer às reuniões, reunir documentos, esclarecer pendências. Não veem a regularização apenas como um procedimento administrativo, mas como a consolidação de um legado. O lote regularizado representa segurança para os filhos, estabilidade para a família e respeito pela trajetória construída com esforço.
A CHEGADA DA PAZ – “Eu lutei muito para levantar minha casa. Quando falaram que ia ter regularização, eu pensei: agora meus filhos vão ter algo que ninguém tira deles”, conta Maria das Dores Alves, moradora de um núcleo regularizado pela Versaurb em Manhuaçu. “A gente vive com medo de perder o que construiu. Quando veio a escritura, foi como se tivesse chegado a paz”, completa dona Conceição Soares, moradora do bairro Dr. Eduardo, em Caratinga.
Em outra cidade, São José do Calçado, no interior do Espírito Santo, Ana Cláudia Oliveira, também beneficiária da regularização fundiária executada pela Versaurb, resume o sentimento coletivo: “Não é só um papel. É o reconhecimento de que a nossa comunidade existe, que a nossa história importa. E quem mais corre atrás disso aqui somos nós, mulheres.”

VÍNCULOS – Essas vozes revelam um protagonismo que não se limita à esfera doméstica. A mulher que cuida da própria família também se mobiliza pela rua, pelo bairro, pela comunidade inteira. Incentiva a vizinha a participar, ajuda a organizar documentos, compartilha informações. Cria pontes. Fortalece vínculos. Sustenta o processo com perseverança.
Na Versaurb, essa mesma força feminina também se faz presente. Urbanistas, engenheiras, arquitetas, advogadas, assistentes sociais, mobilizadoras e técnicas administrativas compõem uma equipe diversa, formada por mulheres de diferentes áreas de formação, unidas por um propósito comum: melhorar a vida de outras famílias.
São profissionais que conhecem o rigor técnico da regularização, mas que não perdem de vista o aspecto humano do trabalho. Cada matrícula analisada carrega uma história. Cada atendimento envolve expectativas, inseguranças e sonhos. A técnica que revisa um projeto urbanístico também é mãe, filha, vizinha. A advogada que explica um procedimento jurídico entende o valor simbólico da segurança que aquele documento trará para uma família.
Esse encontro entre mulheres – moradoras e profissionais – fortalece o processo. De um lado, a experiência de quem vive a realidade do núcleo e luta diariamente por estabilidade. De outro, a formação técnica e o compromisso institucional de garantir que a regularização ocorra com segurança e dentro da legalidade. Entre ambas, valores compartilhados: trabalho, responsabilidade, cuidado e solidariedade.
HISTÓRIA PROTEGIDA – A regularização fundiária urbana não se resume à formalização de um imóvel. É a consolidação de um território onde laços foram criados, onde vizinhos se ajudam, onde crianças crescem e memórias são construídas. Quando uma mulher assume a frente desse processo, ela não está apenas defendendo um lote. Está protegendo a história de sua família e contribuindo para o fortalecimento da comunidade.
Cada escritura entregue é resultado dessa união. Do esforço das moradoras que não desistiram. Do trabalho técnico das profissionais que atuam com dedicação. Da confiança construída entre equipe e comunidade.
São mulheres que cuidam de suas próprias famílias e, ao mesmo tempo, trabalham para garantir que outras famílias tenham segurança e dignidade. Mulheres que organizam, lideram, planejam e executam. Mulheres que transformam o direito à moradia regular em realidade concreta.
Na força silenciosa do dia a dia, elas constroem mais do que casas regularizadas. Constroem futuro.

